23 abril, 2012

Pressão e Lavagem Cerebral Religiosa Enlouquecem Fiel

Perigo_Zona_ReligiosaEsta é uma história insólita, daquelas que, embora raras, acontecem vez por outra no meio religioso. E ao contá-la, alguns cuidados com relação a nomes de pessoas, instituições e lugares devem ser preservados, para evitar-se reações e possíveis alegações de danos morais, calúnia ou difamação, erros que este autor condena e sempre se acautela, para não cometê-los.
Assim, o texto embora baseado em fatos reais, será apresentado em forma ficcional, porém mesclada aos fatos verdadeiros, evitando-se a citação de nomes de pessoas, instituições e lugares, na expectativa de que o leitor compreenda esta precaução.
Os incidentes ocorreram recentemente numa cidade interiorana de médio porte,  rica em um disputadíssimo minério estratégico de alto valor comercial, na Região Norte. Por lá, acontecem coisas na política, na economia e na religião, que raramente são divulgadas no restante do país. E há, de certa forma, um interesse em que isso seja assim. Se alguém pensou em nióbio, não fui eu quem dissse, porque há muitos outros minerais estratégicos naquela região tão pouco conhecida e explorada (por nós).
Mas vamos aos fatos: um certo país europeu enviou à cidadezinha brasileira um emissário comercial para fazer pesquisas e conversar com as autoridades. O objetivo era colher informações geológicas das minas, avaliar o seu potencial, dialogar com as autoridades e ver quais as condições de exportação para os países escandinavos da Europa, já que quatro desses países (Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia) iam operar em consórcio e tinham interesse em formar uma “parceria comercial” com o Brasil (huuum!…). Evidentemente, o emissário era fluente em nossa língua, já que, no Norte do País, dificilmente conseguiria se fazer entender apenas com o Inglês. Sua permanência estava prevista para uma semana.
Ocorre que a pequena cidade tinha uma particularidade com que o visitante europeu, sem religião, não contava: 60% da população era evangélica e 30% católica. O centro da cidade e os bairros centrais eram, como são até hoje, infestados de igrejas cristãs,das mais diversas denominações, umas cinco ou seis por bairro, a tal ponto, que os 10% não católicos nem evangélicos, geralmente moravam na periferia e sofriam muitas discriminações. Mas o que tem isso a ver com uma missão comercial? Vamos em frente e vocês vão entender.
Essas coisas eu descobri através de recortes de notícias de jornais locais e de emails, enviados por algumas de minhas fontes e amigos que por lá tenho. As notícias que recebi, davam conta de que, ao declarar-se irreligioso (o que é comum nos países baixos europeus), o tal emissário começou a ter dificuldades e sofrer discriminações. Passados quatro dias, nada em sua missão evoluíra e ele começou a ser cobrado pelas autoridades que o enviaram. Explicou os motivos dos embaraços e pediu mais cinco dias, que foram concedidos.
Notando que em todos os seus encontros e entrevistas a sua irreligiosidade era questionada com espanto, constituindo-se num embaraço, resolveu aceder aos diversos convites para participar dos cultos evangélicos, alegando, disfarçadamente, que só era irreligioso porque em seu país a maioria da população também o era e que, portanto, não encontrou reais oportunidades de conhecer nenhuma religião. Foi o que bastou. Dali em diante, novos convites surgiram e ele começou a participar dos cultos, evidentemente, com a intenção de facilitar as suas negociações,que não avançavam. “Talvez estejam esperando eu me converter”, pensou ele.
Esgotaram-se os cinco dias adicionais de prazo e o homem não voltava nem dava notícias. Mais uma vez pressionado, explicou que estava freqüentando uma igreja evangélica “para facilitar as negociações”, que não estavam fáceis, devido ao alto índice de religiosidade dos locais. Pediu mais tempo. Como a missão era altamente importante para os quatro países, mais uma semana lhe foi dada.
E o tempo foi passando, passando, até que ele parou de enviar notícias, atender telefones, sacar dinheiro ou enviar emails. Não atendia a mais ninguém, nem mesmo seus familiares. Como era casado, sua esposa cobrou das autoridades do “consórcio” que verificassem o que estava acontecendo e o trouxessem de volta porque se nem movimentação bancária havia mais em sua conta, alguma coisa deveria de muito grave deveria ter ocorrido.
Ao cabo de 45 dias, sem alterações, um novo emissário foi enviado para apurar o que ocorrera. E o que ele descobriu? Seu colega estava com um implante e enxertos na perna, quase decepada e quebrada, com fraturas expostas em dois lugares. Mas não estava em um hospital comum ou pronto-socorro e sim, internado num sanatório, em tratamento psiquiátrico, porque se dizia perseguido por demônios. segundo relatos do novo emissário, seu colega agora usava um crucifixo no pescoço e uma Bíblia na mão, que não largava por nada desse mundo. E tambéme não podia ficar sozinho, primeiro, porque tinha medo e, segundo, porque adquirira tendências de esquisofrenia suicida.
Apura daqui, apura de lá e foi descoberto como tudo pastor exorcistaaconteceu: num dos cultos, o pastor dissera que o cara estava possuído pelo demônio e que iria exorcizá-lo. E quando partiu para o “exorcismo”, o possuido (???) reagiu e entrou em luta corporal com o pastor. Como o “demônio” estava vencendo a luta, mais quatro pastores mergulharam por sobre o pobre emissário, batendo-lhe repetidas vezes na cara e gritando: “Sai demônio, em nome de Jesus”. Mas o demônio, louro e forte, encarou os cinco pastores e, na luta, caiu do palanque, cortou a perna (quase decepada num vaso de louça), e quebrou-a, com frauras expostas em dois lugares. Desacordado e sangrando muito, foi levado ao hospital, supostamente ainda possuído pelo demônio, que não queria sair.
No dia seguinte, os jornais locais estampavam as manchetes: “Estrangeiro É Possúido por Demônio, Ataca Pastores e Quebra Igreja”; “Exorcismo Falha e Possuído É Acidentado” e outras no mesmo viés.
Quando os pastores foram ao hospital, devidamente autorizados, para “terminar o serviço de exorcismo”, o paciente surtou de vez, dizendo que estava com Deus e que eles, os pastores, é quem eram os demônios. Daí, mandou cadeirada neles e, dali em diante, passou a ser diagnosticado como louco. E assim ficaria indefinidamente, não tivesse chegado o outro emissário para resgatá-lo e levá-lo para o seu país de origem. Mas soube-se que nem lá ele se recuperou. Com medo dos demônios, reza, reza, reza, não solta o crucifixo nem a Bíblia e não pode ficar sozinho, seja pelo seu medo ou pelo risco de suicídio.
                             ************** Acabou a história? *************
Não. Agora vem o curioso e inusitado desfecho final: a representação do país de origem do emissário processou a prefeitura da cidadezinha, exigindo uma vultosa indenização para a vítima e para o sustento da sua família, além do pagamento de todas despesas hospitalares necessárias, até o seu completo restabelecimento. Exigiu ainda, e ganhou na justiça (neste caso, excepcionalmente célere), que enquanto a indenização não fosse paga a cidadezinha exibisse a 10 km de sua entrada e a cada 500 metros, a placa de advertência do início da matéria, com os dizeres “PERIGO! ZONA RELIGIOSA: RISCO DE CONTAMINAÇÃO E DANOS CEREBRAIS”,
Entre pagar a indenização e exibir a plaquinha (que consta dos autos do processo e foi desentranhada por um informante), é claro que o prefeito, com o apoio do governo federal, resolveu pagar, imediatamente e no mais absoluto sigilo. Ou era isso, ou seria a desmoralização total da cidade, dos moradores e do prefeito, que nunca mais ganharia uma eleição. Por outro lado, o risco de um incidente diplomático e de revelar-se segredos de bastidores do governo brasileiro. O povo iria querer conhecer a cidade e saber que mineral tão valioso era aquele, do qual nunca ouvira falar. Um mineral do qual o Brasil é o maior produtor mundial, capaz de só com a sua exploração pagar toda a dívida externa brasileira? Não, isso não pode vazar para o povo.
Se alguém quiser saber mais, a internet, os jornais antigos e as pessoas ainda estão por aí. Eu é que não posso dar nomes aos bois. Mas se eu consegui, com meus parcos recursos, vocês também conseguem.

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11 agosto, 2010

A Sorte, o Azar e o Imponderável... Essas coisas existem? O que são?

2VezesNaLoteria-L280 Eis aí um tema bem ao gosto dos "filósofos de botequim". Não que eles sejam adeptos do fortianianismo porque, entre eles, a grande maioria é cética, o que é exatamente o oposto. Gostam porque é um tema instigante, controverso, desafiador. Melhor ainda: porque não foi resolvido e não é, nem nunca será um assunto banal ou desgastado.


Desde que conheci essa turma, com a qual acabei me envolvendo e dela fazendo parte, conheço a discussão e até já participei de várias delas. Há quatro anos, vez por outra, voltamos ao assunto. Mas, confesso, hoje é um tema que ainda me intriga e incomoda, mas já não me atrai tanto para o debate, porque já conheço o resultado final : uns acham que existem, outros que não; uns acham que existem explicações lógicas e absolutamente naturais, outros que não; alguns arriscam definições e outros sequer admitem a validade dos termos, dizendo ser apenas nomes que atribuímos a eventos que desconhecemos. E por aí vai, sem se chegar a qualquer consenso, até que a discussão seja reaberta, em um outro dia, que ninguém sabe quando será.


Interessante de notar é que essa "tchurma" leva mesmo a discussão a sério: estudam, pesquisam, trazem provas (ou o que eles julgam ser provas), fazem citações, invocam filósofos, cientistas, místicos, parapsicólogos e pesquisadores. Com esse arsenal, tentam  defender ferrenhamente suas convicções ou meros pontos-de-vista. Mas tudo em vão, pois o único consenso provisório a que chegam, assim mesmo, por maioria simples e não por unanimidade, são os que resumo abaixo:

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  • Sorte e azar existem, mas as causas e circunstâncias que disparam esses eventos e os mecanismos como se processam são absolutamente desconhecidos;
  • Sobre a sorte e o azar, só conhecemos os efeitos, mas ninguém, em qualquer ramo do conhecimento humano, no passado ou no presente, conseguiu explicar convincentemente como, quando, nem por que esses eventos ocorrem;
  • Há que se distingüir o que é "sorte" ou "azar" daquilo que é provocado pela lei da causalidade e/ou do imponderável. Se é rotineiro, e conforme sejam as conseqüências positivas ou negativas, pode-se dizer que é "sorte" ou "azar", desde que independa das ações do agente. Se acontece uma única vez, com ou sem interferência do agente, é um resultado ou casualidade, perfeitamente natural; se acontece sucessivamente, mas com interferência das ações do agente, provocando o resultado, também é um fato perfeitamente natural;
  • Fatos isolados, que aconteceram apenas uma vez, por mais grandiosos ou bizarros que sejam, jamais devem ser rotulados como "sorte" ou "azar";
  • Sorte ou azar, pressupõem resultados positivos ou negativos, recaindo repetidamente (ou, pelo menos, mais de uma vez), sempre sobre a mesma pessoa, independentemente de suas ações.
  • O imponderável (tomado como substantivo e em seu sentido figurado) existe e pode ser definido como aquilo que não se pode medir, avaliar ou prever, podendo acontecer em qualquer momento e em qualquer lugar, sem causas aparentes ou por causas desconhecidas. Nada se pode fazer para evitá-lo.
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Charles Fort Como se vê, os debates não são de todo improdutivos, pois permitem algumas conclusões. Mas não respondem o principal: O que é a sorte e o azar? Como e por que acontecem? Como se pode provocar ou evitá-los? Esta, nem Freud, nem nenhum outro psicanalista ou filósofo,ou místico, cientista ou pensador,  explica. Talvez um Charles Fort (1874-1937), o maior pesquisador de coisas insólitas, precursor do realismo fantástico (por alguns chamados fortianismo) e maior desafiador da ciência, conseguisse explicar. Mas ele jamais tentou isso. Louis Pauwels e Jacques Bergier, também pesquisadores de coisas insólitas, não quiseram se aventurar a explicar e arriscar sua reputações.


Já Richard Wiseman, em seu clássico livro "The Luck Factor" (O Fator Sorte) tentou explicar o fenômeno mas nada conseguiu, transformando o seu livro em mais uma literatura de autoajuda. A grande Ciência, capaz de explicar tantas coisas, inclusive fenômenos da física quântica e até do mundo microscópico, das profundezas da terra e dos oceanos, dos universos paralelos e de tantas coisas  inimimagináveis para nós, mortais comuns, não se atreveu a deslindar o que sejam sorte ou azar.


A definição que parece ser a mais mais aceita e divulgada para a sorte é a do pensador Elmer Letterman: "Sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade". O que ele não explica é porque a oportunidade chega sempre para quem não a espera, não está preparado e, mesmo assim, colhe os frutos positivos.


O desafio e a pergunta não respondida:


Preocupado em deslindar o mistério e já cansado de procurar em outras fontes, tanto em língua portuguesa, como em Inglês, Francês e Espanhol, resolvi colocar a pergunta abaixo no freqüentadísimo site do Yahoo! Respostas:

SORTE e AZAR existem? Se sim, você saberia explicar como e por que ocorrem?

Sei de antemão que muitas pessoas irão falar que isto não existe e que tudo depende do nosso "livre arbítrio", que somos nós mesmos quem influenciamos o nosso próprio destino, que tudo é resultado das nossas ações, que é só uma superstição, etc. etc. Mas os fatos da vida real demonstram que alguma coisa ainda inexplicável ocorre e que existem pessoas que sem nada fazer de positivo, são bafejadas pela sorte, tudo dando certo, e outras que, por mais que se esforcem, tomem cuidados, planejem, façam as coisas certas, não a têm e tudo dá errado. Já procurei explicações em livros religiosos, filosóficos, metafísicos e científicos e nada encontrei. Não consegui encontrar nenhum sábio, filósofo, cientista, médico, parapsicólogo ou quem quer que fosse que pudesse explicar os porquês e os mecanismos da sorte e do azar. Vocês poderiam dizer o que pensam sobre o assunto e onde achar a resposta?

Dentre as várias resposta que apresentaram, não obtive nenhuma satisfatória. Já esperava por isso (e continuo esperando, até hoje).


Exemplos de "sorte e de "azar"


Muitos são os exemplos que se poderiam dar de "sorte", de "azar" e também do "imponderável". Note-se, porém, que o "imponderável" – aquilo que acontece inesperadamente, sem estar previsto e em hora inoportuna -, é perfeitamente normal e pode ter conseqüências positivas ou negativas.

Seguem, abaixo, alguns poucos exemplos, meramente ilustrativos para que se notem as diferenças (casos reais e hipotéticos):


1) A morte de Michael jackson: Um show foi cuidadosamente preparado e planejado, as datas estavam marcadas, ingressos já haviam sido vendidos, os ensaios quase terminados, o cantor envolvido, sem sinais aparentes de nenhuma doença grave, os patrocinadores e integrantes confiantes no sucesso (e certamente o seria) e, de repente... o astro morre. Aqui, agiu o IMPONDERÁVEL, ocorrência normal;
2) Um acidente aéreo ou automobilístico ocorre, todas as pessoas, menos uma morrem. A que escapou saiu quase ilesa, com apenas leves escoriações. Aqui, não agiu a imponderabilidade porque acidentes aéreos e automobilísticos estão dentro das possibilidades esperadas e nada têm de anormal. Nem mesmo o caso de haver apenas um único sobevivente. Ocorrência normal. Acidentes aéreos e rodoviários não podem ser considerados como anormalidades.
3) Um estudante pede demissão do seu emprego, seus pais lhe pagam o melhor cursinho pré-vestibular, ele leva a sério, estuda, tira as maiores notas em todos os simulados, sente-se preparado para brigar pelo primeiro lugar. Horas antes da prova adoece, pega 40 graus de febre e mais um desarranjo intestinal violento e perde a prova. Mais uma vez, agiu o imponderável, e não o azar. Ocorrência normal;
4) O mesmo carinha acima parte para a segunda tentativa e, no ano seguinte, no dia do exame, pega um trânsito engarrafado por causa de acidente, fica preso, se atrasa e... perde a prova. Mais um ano se passa, ele parte para a terceira tentativa, um outro incidente ocorre e ele perde, de novo, a prova. Aqui já agiu o azar. As ocorrências foram sucessivas, fugiram da normalidade e revelaram uma tendência negativa. Explicações? Não tem;
5) Um apostador, com apenas um volante de aposta mínima, acerta sozinho a mega-sena acumulada. Ocorrência normal (alguém,  teria de ganhar), se for uma única vez. Mais de uma, em curto espaço de tempo, já passaria a ser sorte; Explicações? Lei da causalidade.
6) Um caso verídico: um senhor, não habituado a jogar em loterias, encontra um volante de lotomania preenchido, preso no parabrisas do seu carro; amassa-o e joga fora. No dia seguinte, a mesmíssima cena se repete e, então, ele resolve pegar o volante e joga 3 reais na lotomania, ganhando 2.700 reais. Paga algumas dívidas e, na mesma semana, resolve jogar 12 reais na mega-sena e ganha de novo, sozinho, desta feita, 18,9 milhões de reais. Aqui, sem sombra de dúvidas, agiu a sorte. Explicações? Não tem. Somando tudo, foram 4 coincidências, semelhantes, na mesma semana.
-Link para a matéria "Sortudo ganha 2 vezes na loteria, em uma semana"(http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL83387-5598-834,00.html  )
-Link para o vídeo "Sortudo ganha 2 vezes na loteria, em uma semana"


Casos semelhantes ao ocorrido no item 6, acima, não são assim tão incomuns, embora raros. Se vocês pesquisarem na internet vão achar muitos. E agora? Pode-se dizer que o resultado foi fruto da ação do agente? Será que ele provocou isso?

Há um outro caso mais antigo de um brasileiro (este eu não posso dar o link porque não localizei) que ganhou sozinho na loteria esportiva – no tempo em que o prêmio era compensador – e foi passear em Las Vegas. Na primeira noite, em um dos cassinos, tirou o prêmio acumulado em uma das máquinas, de maior valor do que o que ele havia ganho. Pela última notícia que tive, estabeleceu-se nos Estados Unidos, sendo um dos maiores criadores de gado da sua região.

Finalizando, um outro caso, exibido no Programa do Jô, há cerca de 3 anos, mostrava um rapaz acostumado a ganhar em rifas, promoções e sorteios. Teria ganho 16 (dezeseis) vezes e ajeitou a sua vida e da sua família, principalmente a da mãe, para quem comprou uma casa nova. Isso é ou não é sorte?


Sorte e azar podem ser mudados por nossas ações?

Desmistificando e contrariando a maioria dos pesquisadores, entendo que NÃO. Absolutamente, sorte e azar não podem ser mudados, porque independem da nossa vontade. Sorte é sorte, azar é azar e pronto. Não se pode prever se e quando vai ocorrer e nada podemos fazer para modificar. Lamento se decepcionei alguém e gostaria até que me provassem o contrário. "Por favor, prooooovem-me que estou errado! Eu também gostaria de poder influenciar na minha sorte".

Já se a pergunta se referir à possibilidade de, por nossas ações, obter-se rotineiramente resultados favoráveis ou negativos, a resposta é SIM. Por exemplo, se eu tomo sucessivas decisões erradas, a tendência é que eu colha resultados negativos. Por outro lado, se sou cauteloso, persistente e escolho sempre as melhores opções, a tendência é obter sempre resultados positivos, desde que não ocorra o imponderável. Mas tanto num como noutro caso, não se pode chamar esses resultados de "sorte" ou "azar", por serem considerados "normais".

Se eu me dedico no meu emprego, estudo, procuro respeitar as normas da empresa, dou sugestões ou soluções que contribuem para o aperfeiçoamento e crescimento da organização, quando eu chegar à diretoria ninguém poderá dizer que foi "sorte". Se eu desperdiço as boas oportunidades que se me apresentam ou não sei identificá-las quando presentes, jamais poderei reclamar se nunca progredir.

Literatura sobre o assunto

É impressionante a escassez e a má qualidade da literatura existente sobre o assunto, pelo menos, nos 4 idiomas em que pesquisei. Por isso, não recomendo nenhuma, à exceção do livro The Luck Factor ( Fator Sorte), de Richard Wiseman, assim mesmo como livro de autoajuda. Por incrível que pareça, a melhor matéria que li sobre isso, melhorr até do que todo o livro de Wiseman, foi a do médico psicoterapeuta  brasileiro, Flávio Gikovate, em seu excelente artigo "Você acredita em sorte ou azar?", que segue mais ou menos a nossa mesma linha de pensamento. Sou um pouco suspeito para falar porque sou seu admirador incondicional,mas recomendo que leiam e tirem as suas próprias conclusões.


A matéria está pronta. Mesmo sem ser filósofo profissional ou qualquer autoridade no assunto, emiti a minha opinião. Como tenho interesse na resposta, deixo o desafio para que alguém me prove que sorte, azar e imponderável não existem. E se quiserem advogar que existe, tentem definir o que é e como funciona, pois parece-me que até agora ninguém o fez.

E só para finalizar: não me considero uma pessoa de sorte, mas também não totalmente sem sorte. Acho que estou dentro da normalidade, mas tenho por hábito ser persistente, descobrir e correr atrás de oportunidades que, aliás, teimam em não aparecer. As pouquíssimas que apareceram eu as agarrei, com unhas e dentes. Mas escassearam.

Presentemente, desenvolvi uma metodologia e alguns programas de computador para analisar e indicar jogos da Lotofácil e da Lotomania. Ganho e perco, por enquanto, mais perdendo do que ganhando. Mas adepto da tecnologia informática, fã da matemática e da estatística (estudo de desvios e cálculos de probalidade, interagindo com a Lei dos Grandes Números), acredito que vou chegar lá. Jogo (ou melhor, "invisto") uma média de R$ 300,00 (trezentos) reais por semana, há dois anos, não deixando de jogar uma única semana.Chamam-me de louco, irresponsável, recebo críticas e gozações e não falta alguém para dizer-me que se guardasse ou aplicasse todo o dinheiro que gastei, teria hoje quase 40.000 reais. Agora pergunto: e daí? Vou continuar sendo criticado, mas quando ganhar, em 24 horas recupero tudo o que investi e ainda fico com um lucro líquido de aproximadamente 666%. Que investimento me daria esse retorno em pouco mais de dois anos?

Se no dia em que eu ganhar algum FDP vier dizer que foi "sorte", mando para a PQP! E se vierem perguntar pelos meus métodos e o programa de computador que utilizei, responderei: "Ele não serve para qualquer pessoa e, principalmente, se não estiver disposta a investir R$ 1.200,00 por mês, o que  certamente é uma imprudência". Mas eu tive coragem para cometê-la.

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14 maio, 2010

O "Ficha Limpa", na visão dos filósofos de botequim

Filósofos de botequim discutem ou conversam sobre quase tudo, desde amenidades, como pratos exóticos e saborosos , qualidades de vinhos e bebidas, beleza feminina (reservam-se quando há mulheres no grupo), relacionamentos, etc., até os temas filosóficos mais comFilosofosDeBotequim-320plexos e as grandes questões nacionais ou internacionas. Mas sua preferência vai sempre para os assuntos controversos e para as atualidades, especialmente quando geram polêmicas. Isso sim, os incita e excita. Portanto, é natural que temas políticos, religiosos e céticos estejam entre os preferidos, principalmente, os de natureza política.
Futebol também é um tema constante, atual e polêmico, mas não costuma ganhar nenhum destaque nas discussões e só é referido "en passant" porque sabem eles que, neste tópico, não há consenso. Exceção para o futebol, apenas nas olimpíadas ou época de copa do mundo. Aí sim, nestes momentos, e apenas nestes, o assunto é valorizado e considerado.
Ora, o momento político atual – época em que é escrita esta crônica -, passa pela ansiedade nacional de saber o destino que será dado ao chamado "Projeto Ficha Limpa", esperança brasileira para impedir que políticos criminosos ou corruptos sejam candidatos ou continuem a exercer seus mandatos. E as dúvidas são se será mesmo aprovado, a partir de quando entrará em vigência, se valerá para as eleições de 2010, se vingará, se não irá transformar-se em mais um engodo político...
Estava eu com essa preocupações quando resolvi ir relaxar no "Papo em Dia", um misto de "pub's bar" e botequim de happy hour, onde costumo encontrar alguns amigos e muitos desses "filósofos de botequim", alguns até brilhantes. Sempre aprendo alguma coisa com eles. Aliás, todos aprendemos uns com os outros. Só não vou informar a localização do "Papo em Dia" porque somos um pouco egoístas e ciumentos e queremos manter a privacidade do local e da sua clientela, onde somos maioria assídua e temos tratamento especial, a começar pelas nossas mesas, em um cantinho reservado, que o proprietário só cede quando nenhum de nós está presente.
Só posso adiantar que é um lugar simples, mas limpo e requintado, sem aquele estridente som ao vivo (o som lá é ambiente e baixo, intercalado com música instrumental, para que se possa conversar). Lá, saboreiam-se maravilhosos petiscos de frutos do mar e degusta-se uma bebidinha honesta, quer sejam apenas batidinhas e coquetéis especiais ou uísques e vinhos de renome. Não, não servem sandubas ou almoços ou jantas. Apenas salgadinhos e outros petiscos especiais, como iscas de tilápia, camarões fritos, manjubinhas, anéis de lula refogada, carne seca em cubinhos, quibezinhos, moelas, porções de queijos e salaminhos, sachimi e bolinhos diversos, inclusive de bacalhau, típicas "comidas de botequim". A carta de vinhos é limitada, é verdade, mas o que tem dá pro gasto e como a variedade de queijos e petiscos é grande, uma coisa compensa a outra. Os precinhos são um pouquinho salgados, mas justos; e no nosso grupo, todos têm conta, podendo "pendurar". Segundo o proprietário, tem de ser assim para poder "manter o padrão, o nível do atendimento" e afastar os bebuns, motoqueiros e encrenqueiros. Com este argumento, e alegando que se sente honrado em pendurar nossas contas, ele nos convence.
Pois bem, foi nesse ambiente aconchegante  e com oito amigos que, entre porções de queijos com azeite, salaminhos, carpaccio, camarões fritos, azeitonas, cerveja, uísque, vinhos e bolinhos de bacalhau, a discussão do "Ficha Limpa" começou, por volta das seis e meia da noite, estendendo-se até duas da madrugada, hora normal do fechamento. Não foi uma discussão exclusiva, porque se falou de várias outras coisas, mas foi a que predominou, porque salvo algum desviozinho aqui ou ali para se falar de mulheres, a política foi sempre o centro das conversas. Nesse dia, não tinha nenhuma personalidade ilustre, mas às vezes elas também aparecem. E foi até bom, porque os ânimos se acirraram um pouco e algumas "gentilezas e palavrãos" foram trocados entre pessimistas (eles se autodenominam realistas) e otimistas.
Não vou revelar todos os pormenores do debate porque iria estender demais esta crônica. Mas posso resumir dizendo que começaram por elogiar a iniciativa do povo brasileiro, a participação dos internautas e da imprensa na mobilização, os 4 milhões de assinaturas conseguidas  e a vitória parcial alcançada com a aprovação do projeto na Câmara Federal. Até aí todos estavam de acordo: o povo fez a escolha certa ao optar pela mobilização nacional, fazendo com que a pressão popular, desta vez, contasse com a ajuda dos blogs, da internet e da mídia. Pressão popular organizada, divulgada e apoiada. Este é o caminho, concluíram. Esta discussão se deu no mesmo dia em que se consolidou a aprovação definitiva do projeto, na Cãmara, depois de derrubados todos os "destaques".
Ufa, que alívio! Chegamos, por unanimidade, a um consenso, o que é raro nesse tipo de discussão. Fiquei feliz porque "filósofos de botequim" dificilmente erram nessas questões. Mas a alegria durou pouco. Mais um goles adiante e um contestador lançou a primeira dúvida: "Vocês acham que essa lei, se aprovada, vai vingar?" Imediatamente, um outro (pessimista?) respondeu: "Não creio, os políticos não têm interesse nisso e só estão levando o projeto adiante porque estão sob pressão popular e em ano eleitoral". Pronto! Foi o suficiente para que, dali em diante, cada um desse o seu palpite, uns poucos acreditando, a maioria, duvidando.
Questionaram o texto-base do projeto, totalmente descaracterizado, com o objetivo de permitir ao político fugir do enquadramento. Citaram como exemplo o "efeito suspensivo" incluso no texto legal, mecanismo que permite ao político processado ou condenado recorrer à instância superior, permanecendo no cargo até a sentença final (que normalmente não virá, por prescrição, ou só virá no fim do seu mandato ou após ele). Um outro levantou tambem a questão dos "crimes ambientais " cometidos por políticos e que só levam à inegibilidade se a condenação for superior a dois anos, não se conhecendo nenhum caso em que tenha havido tal condenação. Um terceiro, levantou a questão do "após condenado, por órgão colegiado", o que deixaria de fora os processados mas ainda sem sentença final condenatória.
Bem, esmiuçados esses e outros pontos, e depois que dois conhecidos "fichas-sujas" (Paulo Maluf e Sandro Mabel) desfilavam tranqüilamente entre os parlamentares, e concordando em que fossem retirados os destaques dos seus partidos, lançou-se suspeição sobre o "acordão do efeito suspensivo", feito a portas fechadas com os líderes de partidos e que permitiu a aprovação do projeto, com a retirada dos nove destaques que faltavam ser votados.
Por último, analisaram a declaração do Senador Romero Jucá, que afirmou em alto e bom som, diante das  cãmeras da televisão,  que a aprovação do "Ficha Limpa" não é prioridade no Senado. Em outro momento, disse ainda que será preciso muita cautela com esse projeto porque afeta a vida dos políticos e poderá ser usado como "arma intimidatória". Declarou também que irá propor novas alterações ao projeto, para torná-lo mais justo (para quem?). Sabendo-se que se o projeto não for aprovado e sancionado até 10 de junho não valerá para as eleições deste ano, há um risco iminente de que isso aconteça. Com a colaboração do ilustre senador, é claro.
Bem, é isso. Os filósofos de botequim, afinal, concluíram:
    1. Que a iniciativa popular foi extremamente válida e mostrou um novo caminho para exercer pressão popular sobre os políticos: o uso maciço da internet, o auxílio dos blogs e da mídia, a coleta de assinaturas em petições, as passeatas;
    2. que a aprovação do "Ficha Limpa", na Câmara, com a retirada dos "destaques", só saiu porque os parlamentares estavam sob pressão popular e porque houve um acordão, garantindo que o alcance e eficácia da nova lei será mínimo, havendo ainda a possibiidade de se usar o mecanismo do "efeito suspensivo". Não fosse assim, os políticos rejeitariam. Conseqüentemente, o que a TV Câmara transmitiu no dia 11/05/2010 foi apenas uma encenação. Tudo já estava acertado e decidido, antes do início da seção;
    3. que o Senado vai complicar mais um pouquinho, retardando o processo de votação e aprovando o projeto com novas emendas que resultarão em tornar seus efeitos minimizados e aplicáveis somente nas eleições municipais de 2012. Existe a certeza de que qualquer tentativa em contrário resultará em alegação de "inconstitucionalidade", devido ao princípio da anualidade;
    4. que o projeto "Ficha Limpa" vai ser aprovado sim, mas só para dar uma satisfação à sociedade, ficando naquele famoso rol das "leis que não pegam".
Se eles estão certos ou não desta vez, só o tempo dirá. E quando isso ocorrer, volto a este espaço para comentar.

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22 outubro, 2009

Deus e Religião: Vírus Difíceis de "Desinstalar" dos Subconscientes das Pessoas

Deixar de "crer em Deus" e de "necessitar seguir uma religião", depois que se chega à idade adulta, é uma decisão difícil de ser tomada porque implica em remover do subconsciente das pessoas noções e conceitos que lá foram implantados desde a mais tenra infância. E isso gera um conflito interior tão grande que, muitas vezes, leva à acomodação e aceitação das antigas idéias, pelo simples receio de enfrentar a inquietação e os conflitos que tal decisão traria.


Para quem estranhou o uso do termo "desinstalar" no título, que poderia facilmente ser substituído por qualquer outro sinônimo mais adequado ao ser humano, informo que o uso foi intencional para que pudesse se adequar à seguinte analogia da era da informática: "Deus e as religiões são vírus residentes na memória, instalados junto com a bios e que têm proteção contra a desinstalação. Por isso a sua remoção é difícil pois, se mal feita, poderá ocasionar defeitos de funcionamento ou o travamento do PC". Isto não lhes parece familiar?

Pois é mais ou menos assim que funciona a idéia de Deus e a do seguimento de uma religião. Essas necessidades são implantadas na memória das pessoas, desde a mais tenra idade, de tal forma que, ao chegarem à idade adulta, equiparam-se ao funcionamento de um vírus, de difícil remoção. Para desisinstalá-lo, só existe um caminho: determinação, perseverança e conhecimento. Se estes três requisitos não estiverem presentes como antivírus, é melhor não arriscar e deixar o vírus dentro da bios. Pelo menos assim o seu PC vai funcionar. Controlado e sem autonomia, mas funcionando, limitadamente. E entre não funcionar e funcionar com limitações, as pessoas, por covardia ou comodismo, escolhem sempre a segunda opção, se é que se pode chamar isso de "opção". Para os que querem libertar-se, mesmo possuindo os pré-requisitos determinação e perseverança, nada conseguirão se não tiverem o terceiro e mais difícil requisito: o conhecimento.

Onde começa e quando se detecta o problema?

Onde começa, já foi explicado. E quando se toma conhecimento de que já se está contaminado... Bem, sobre isso, cito como exemplo, de acordo com o artigo da Isto É - Independente, a matéria "A virada para a vida adulta".


A matéria mostra que ao chegar aos 13 anos, bem no início da adolescência, os jovens, na sua esmagadora maioria, já têm o seu "Deus" e a sua opção religiosa escolhida. A pergunta que faço é: "um jovem de 13 anos ou menos possui maturidade suficiente para entender o que seja 'Deus' e poder definir-se por uma religião?" Se não, como parece óbvio, por que isso ocorre? Será que aqueles conceitos que estão implantados na cabeça dos jovens, como um vírus, não os levaram para esse caminho, sem que disso se dessem conta? E se mais tarde eles quiserem se libertar ou simplesmente mudar as suas convicções religiosas, conseguirão fazê-lo sem sofrimento?

No judaísmo, os meninos aos 13 anos, e as meninas aos 12, nas cerimônias "Bar-Mitsvá "(meninos) e "Bat-Mitsvá" (meninas) são obrigados a confessar sua conversão à religião judaíca, demonstrando conhecer a Torá e lendo seus textos em cerimônias especiais para estas datas. Para isto, são preparados nos anos precedentes, aprendendo e decorando, obrigatoriamente, os preceitos e mandamentos da Torá. No catolicismo, existe o batismo (geralmente feito em recém-nascidos, mas que pode ser realizado em qualquer idade), o catecismo e outras práticas que induzem filhos de católicos a também se tornarem católicos.

Quase todas as religiões têm o condão de preparar as mentes dos jovens, antes da adolescência, para fazerem suas conversões religiosas, de tal sorte que, entrados nessa fase , já tenham o vírus da religião implantado nas suas cabeças. E os maiores cúmplices dessa sandice são os próprios pais, que fazem isso por pura ignorância, acreditando estar fazendo o bem para os seus filhos. Nisto, têm a cumplicidade da escola, dos parentes e até dos amigos mais íntimos.

Resultados da pesquisa:

De acordo com a matéria citada, foi feita uma pesquisa com 100 alunos , em três escolas de São Paulo, Recife e Curitiba. A pesquisa abrangeu itens como "relacionamento com os pais", "sexo", "meio ambiente" e outros, dentre os quais, o quesito "religião e espiritualidade", aplicado aos jovens na faixa etária 12-13 anos. Vejam as 4 perguntas eformuladas e os resultados, que confirmam a nossa assertiva:

1 - Você acredita em Deus?
Sim - 87%; Não - 13%

2 - Você tem religião?
Sim - 95%; Não - 5%

3 - A religião que segue é a mesma da sua família?
Sim - 79%; Não - 21%

4 - Acha necessário ter uma religião para acreditar em Deus?
Sim - 88%; o - 12%

A argumentação, os fatos e os números da pesquisa, embora numa pequena amostragem, foram expostos. Agora cabe aos leitores tirarem suas conclusões. Antes, porém, pensem nos seus filhos menores de 12 anos, caso possuam. Se vocês não os influenciarem, quem sabe um dia eles ainda vão lhes agrdecer por isso? Já na hipótese contrária...

Fonte: mencionada, com o respectivo link
Nota: Transcrição do artigo semelhante, do mesmo autor, no blog "Formou? Disseca e Publica!"

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16 setembro, 2009

Um país sem rei, sem imperador, sem presidente, sem parlamento e sem um comandante supremo?

Um sistema político sem um comandante supremo e funcionando? Se tiverem a coragem de tentar, talvez se comprove que a idéia não é tão louca como parece.


Um país assim seria possível? Não ficaria entregue à desordem social? Não seria isto uma utopia, um devaneio?

Depende, depende… Talvez uma utopia possível, se é que se pode falar em "utopia possível". Talvez um devaneio, mas não em seu sentido pejorativo; ou, quem sabe, talvez as duas coisas porque, afinal de contas, este é o meu blog e eu posso imaginar o que quiser. Posso escrever, sem censura, as minhas verdades ou as minhas ficções e até o meu besteirol. Aliás, este é o lugar ideal para manifestar livremente o meu pensamento e compartilhá-lo com outras pessoas. Fora daqui, somente em meu site literário ou quando e se eu publicar um livro, já que nem num jornal ou revista eu não estaria livre de sofrer a censura do periódico para o qual estivesse escrevendo. Teria de adaptar-me - eu, de espírito libertário, - à sua linha editorial e às incômodas e às vezes necessárias, "normas da casa". Nos periódicos, tive uma breve experiência, e não gostei. Mordaça em minha boca? Só se for à força. Ou eu falo o que penso, com minhas palavras, ou não falo ou, em última instância, aceito falar em nome dos outros, mas deixo isto claro no texto.

O que vou propor não é um desgoverno, um anarquismo ou uma incitação à desobediência civil pacífica, às vezes até cabível, como propõe o filósofo Henry David Thoureau e como praticaram, por exemplo, Mahatma Ghandi, Martin Luther King e, aqui, no Brasil, Chico Mendes, este dois últimos, chegando a morrer assassinados pelos inimigos da causa que defendiam. Não, o que pretendo é muito mais simples: quero apenas expor minha utopia possível e levar o leitor a meditar sobre ela. Se vários começassem a considerá-la, depois a desejá-la e depois a exigirem-na, quem sabe ela passaria a ser possível um dia e deixasse de ser considerada um devaneio utópico? Quero compartilhar com você, leitor, este vôo da imaginação e, se me fizer entendido e tiver sorte, ouvir a sua opinião. [...]

A idéia:

Como num livro de ficção, imagino uma situação em que se realizasse um plebiscito no qual se proporia ao povo uma grande reforma política e se perguntaria que nova forma de governo desejariam para o seu país. Dentre as opções possíveis teria uma mais ou menos assim:

"…

*
O país será administrado por um conselho de 11 (onze) filósofos, dentre os mais ilustres cidadãos assim reconhecidos, dotados de todos os poderes de decisão e de gestão, a eles cabendo instituir, organizar e gerir a vida pública do país, segundo as normas do seu regimento interno, por eles mesmos elaborados e aprovados, na forma de órgão colegiado. O mandato de cada legislatura será de 4 (quatro) anos, permitida a reeleição indefinidamente dos membros do conselho.

Esta seria a proposta principal e o povo não mais precisaria votar. Apenas, a cada duas legislaturas, seria realizada uma nova consulta popular para saber se o país aprovaria ou não a continuidade do regime. Uma vez aprovada, a mecânica seria a mesma, talvez com alguns ajustes decorrentes das experiências anteriores. Simples assim.

Normas da composição e funcionamento do Conselho, estariam estabelecidas no seu regimento interno, que seria do conhecimento público de qualquer cidadão, com abertura para críticas e sugestões da população, através dos seus órgãos representativos, e poderiam ser apreciadas e respondidas, de acordo com a sua relevância (haveria um apoio logístico prévio e um secretariado, para as finalidades de triagens, mas somente as decisões do Conselho teriam eficácia e seriam soberanas).

A justificativa:

Este tipo de proposta só seria submetido nos casos de países em que as experiências políticas anteriores tivessem fracassado, dando abertura a desvios e corrupções, levando o povo ao descontentamento ou ainda ameaçando a soberania de outras nações, com perigo de guerra.

A escolha de filósofos para administrar o país, deve-se ao fato de que filósofos são pessoas de cultura geral elevada, atualizadas, bem-informadas em diversas áreas, geralmente sensatas e especializadas em raciocinar com lógica, buscando as conclusões mais acertadas naquilo que for objeto de sua apreciação. Com plenos poderes, eles poderiam convocar, para assessorá-los, os cientistas, doutores, juristas, economistas, ambientalistas, biólogos, naturalistas e outros tantos "…ólogos", "…istas", "..ores" e "…ônomos", bem como quaisquer tipos de especialistas necessários ao bom desempenho dos seus mandatos.

A diplomacia e a representatividade do país no exterior seria mantida e alguns ministérios seriam criados e outros reformulados, como o do Meio Ambiente, o do Planejamento, o da Economia e o da Justiça…, em nada atrapalhando o desenvolvimento mas, pelo contrário, incentivando-o, sem os grandes sacrifícios geralmente impostos à população, melhorando a sua qualidade de vida e sem degradar o meio ambiente. Uma nova constituição deveria ser criada e nela introduzida um novo disciplinamento para as questões jurídicas e religiosas, definindo como crimes certas práticas que hoje assim ainda não são consideradas, mas que permitem que pessoas ingênuas, incautas e de boa fé, sejam ludibriadas. A liberdade de culto religioso continuaria, mas os excessos e o charlatanismo seriam punidos. O reaparalheamento, informatização e modernização da Justiça seria implementado, com novos prazos e critérios de prioridade no julgamento de processos. A isso chamariam utopia, mas, insisto: é uma "utopia possível" e nem me importo que digam que isto é um paradoxo.

Como escolher os membros, quais os critérios, como implementar?

Estas, por enquanto, são questões menores, de somenos importância. O mais importante é chegar à conclusão de que é possível fazer e decidir fazer. Uma das questões a serem levantadas seria, possivelmente, a seguinte: "Será que temos em nosso país onze filósofos que preencham os requisitos?" Respondo: supondo-se que não; que tenhamos apenas 8. Os 3 que faltam poderiam ser importados, dando-lhes cidania para que trabalhassem em prol do país. O que há de errado nisso?

Outra questão: " E se o Conselho ficasse dividido, em impasse? " Isto não ocorreria porque são onze membros e, portanto, não pode haver empate e nem impasse. "Ah, mas uma decisão de 6 a 5 não é um consenso!". Tudo bem. Estabeleça-se, no regimento, que toda decisão só será considerada válida e irrecorrível com o mínimo de 7 votos favoráveis. Votações de 6 a 5 dariam direito a recurso ou segunda votação, em trinta dias, logo após ouvidos outros argumentos e opiniões. Fora disso, as decisões seriam soberanas, irrecorríveis.

Finalmente, uma última questão: "E a segurança? Como garantir a incorruptibilidade dos membros ou do presidente do conselho?". Primeramente, a presidência seria exercida por todos os membros, alternando-se a cada três seções, e o secretariado se encarregaria de verificar a legitimidade das decisões, dando conhecimento à Mesa. Além disso, as atas das reuniões e as decisões, sempre justificadas, seriam publicadas no Diário Oficial e a própria população poderia fiscalizar. Em caso de suspeita fundamentada de fraude, poderia se manifestar para o Conselho, através dos seus órgãos representativos.

O nosso único risco seria se todos os onze membros entrassem em conluio para a corrupção e subornassem o apoio logístico e o secretariado. Ainda assim, o corpo técnico, nos ministérios, teria condições de desconfiar e denunciar qualquer tipo de falcatrua e poria em ação a Corregedoria que, é claro, teria também de existir.

Notem que não citei o nome do país, por considerar a proposta universal. Será que no seu não vale à pena correr este risco?

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30 agosto, 2009

Para que servem os filósofos? (visão de um ecletista curioso, não filósofo)

Esta pergunta ainda parece sem respostas, porque jamais se chegou a um consenso sobre o que seja um filósofo e qual seria o seu verdadeiro papel na sociedade. Assim após analisar acuradamente o assunto, arrisquei-me a dar a minha interpretação, mas ressalvando que ela será apenas "mais uma" , até que se chegue ao tão esperado consenso



Se um leigo ou profisssional de outra área desse palpites em Medicina ou Engenharia, por exemplo, e se, raciocinando por absurdo, fossem levados em conta esses palpites, muitas mortes poderiam ocorrer e muitos prédios ruir. Ser ou não ser levado a sério é uma questão. Dar ao leigo o direito de expressar sua opinião, mesmo que não considerada, é outro. E é sob a ótica de um leigo, com formação acadêmica em outra área, bem diversa da filosofia, que venho expressar minha opinião, dentro do que a minha pesquisa sobre o assunto me indicou. Certos ou errados os conceitos, é assim que enxergo.

Para que servem os filósofos?

Bem, aí está um tema sobre o qual já escreveram diversos filósofos, pensadores escritores e pessoas comuns. Não há consenso nem um conceito padrão, mas há também aqui algumas coisas que se repetem quando se tenta responder à questão. Além da minha própria opinião, analisei o pensamento de várias dessas pessoas, juntei tudo, coloquei no meu liquidificador mental, filtrei, mantive o que era constante, e cheguei à minha conclusão, que não é acadêmica (como disse), mas creio poder explicar com simplicidade a questão.

E é como uma pessoa comum que vou emitir a minha opinião, repiso. Antes, porém, convém lembrar que a filosofia contem paradoxos: é rígida em suas técnicas de análise, possuindo regras próprias, mas é ao mesmo tempo “anarquista” e “libertária”, no que se refere aos métodos que emprega e às suas conclusões. E não poderia ser de outra forma porque a Filosofia não pode ter mordaças e nem servir a ninguém, senão à verdade. Os filósofos, quando erram (e eles também erram, ainda que pouco), erram buscando a verdade.

Dito isto, vamos tentar entender para que servem os filósofos:

“Filósofos são pessoas não muito comuns, cultas e estudiosas, idealistas e de espírito libertário, especializadas em “pensar”. A eles, por serem especialistas nisso, mais do que qualquer um, cabe a tarefa de estudar uma questão e tentar chegar a uma conclusão que mais se aproxime da verdade, empregando a sua cultura e as técnicas de raciocínio lógico em que se apóia a Filosofia. Poder-se-ia dizer que os filósofos “não têm papas na língua” e costumam dizer o que pensam, mesmo quando isto lhes põe em risco.” Uma das atribuições do filósofo, na opinião de Paulo Gjiraldelli Jr, um outro fiósofo, seria "desbanalizar o banal" (leiam artigo semelhante, de sua autoria, onde ele mesmo melhor explica isto).

As opiniões de um filósofo, ainda que não necessariamente, costumam ser respeitadas na maioria dos casos porque é difícil debater com um deles quando também não se é um ou, pelo menos, alguém que se aproxime disso e tenha um conhecimento muito profundo do assunto a ser debatido. Ocorre que só o conhecimento técnico (o de um cientista, por exemplo), às vezes não é suficiente para rebater os argumentos de um filósofo, porque ele olha as questões com lógica e por outros ângulos que as pessoas comuns não vêem.” E é por isso que a Ciência muito deve à Filosofia porque sem a experimentação e o raciocínio filosófico, não teria como evoluir."


Dentro do que assimilei, em linguagem a mais simples e compreensível possível, é isso aí.

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16 julho, 2009

Poesia Libertária

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Apenas um livre-pensador ecletista, libertário e agnóstico-racionalista, ambientalista de carteirinha e filósofo de botequim, blogueiro, articulista de jornais virtuais e "ghost writer" quando pode e as atividades permitem. Em "Vida Escaneada", tentando fazer literatura com o produto do escaneamento da vida e do tempo, analisando os porquês do comportamento humano (inclusive o do autor) dentro deste binômio. Em outros blogs, estão os demais assuntos do meu interesse, tais como filosofia, política, espiritualidade, ateísmo, meio ambiente, ciência, enigmas e mistérios da humanidade. É mais ou menos isso.

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